terça-feira, 21 de março de 2017

{Dica} Verossimilhança

Olá amoras, como vão vocês? Espero que estejam todos bem. Como sabem, hoje é terça e temos muito para pôr em dia. Uma vez por mês, eu venho até vocês e falo sobre algumas dicas e truques para escritores iniciantes assim como eu.

Devo lembrar mais uma vez que o que faço nessa coluna é apenas uma ajuda, coisas que acabei adquirindo conforme me aventurei nesse mundo da escrita e que acredito ser importante para todos. Não sou escritora profissional, muito menos perita no assunto. E nem digo que existe apenas o meu jeito de se fazer algo, ou que está totalmente certo.

Com isto em mente, vamos à diante. Munem-se de caneta e papel e vamos para mais um Condutor de Primeira Viagem.

A dica de hoje é simples, mas poderosa. Você por acaso já ouviu falar de verossimilhança?

Segundo o nosso queridíssimo Google, eis o significado:


Entenderam? 

Agora vocês devem estar se perguntando o que isso tem a ver com a literatura? Meus amores, tem tudo a ver. Como o leitor vai conseguir se conectar com a sua história, acreditar que ela real, se lhe falta verossimilhança? Não tem como.

O que estou querendo dizer é que antes de sair por aí aos quatro ventos espalhando a sua história, pare e pense. Analise-a com cuidado. Ela faz sentido?

De nada adianta criar uma aventura, por exemplo, onde o personagem descobre ter super poderes e já os domina completamente. Ou então, temos uma criança que consegue derrotar bandidos perigosos e cruéis (acabei com 50% das comédias). E isso não acontece só nas aventuras não. Todos os gêneros estão fadados à isso.

Não faz sentido um romance onde a personagem principal terminou inúmeros relacionamentos e ainda assim tem uma estabilidade emocional e consegue se apaixonar novamente outra vez. Também não faz sentido todo mundo se apaixonar à primeira vista. Acontece? Acontece. Mais isso é raridade, não regra.

Comédias em que os personagens se ferram a cada instante também são pouco verossímeis. Quer dizer que toda hora alguém da uma rasteira nele e o cara continua sendo um idiota? Conta outra.

E se vocês aí da ficção científica e fantasia acharam que tinham escapado, sinto-lhes informa que não. Esse é um erro tão comum que vou até dar uma atenção especial à vocês.

Que fantasia e ficção cientifica é um terreno onde tudo é possível, a gente sabe. Mas poucos são aqueles que carregam verosimilhança. E posso dizer uma coisa? Faz uma falta...

Um exemplo? Percy Jackson. O garoto é totalmente comum, até que descobre que é filho de um dos deuses gregos e que sua mãe morreu. Agora imagina se ao descobrir tudo isso ele lida super bem, fala apenas "ok" e segue andando. Não faz sentido, faz?

Imagina se o Harry Potter não faz um zilhão de perguntas ao Hagrid e acha tudo normal ele ser um bruxo? Também não tem nexo.

Tudo bem que esses dois reagiram até que bem as reviravoltas, mas tiveram sim um momento de dúvida, então vamos lhe dar algum crédito.

Os escritores da fantasia e scy-fy acreditam que, por suas histórias serem impossíveis, elas não precisam de verossimilhança. Taca um dragão do nada, faz uns robôs se revoltarem e tá tudo bem. Poucos são aqueles que preocupam-se a responder a duas perguntas bem importantes: como e porquê?

Como esse dragão surgiu no meio de um deserto? Por quê os robôs estão se rebelando? E por quê justamente agora essas coisas estão acontecendo?

E se você é daqueles que cria sociedades distópicas, mas não explica porquê a terceira guerra explodiu e nem como todos eles sobreviveram e conseguiram se restruturar, tenho um recado:


Gente, essas coisas não acontecem do nada. Dragões não surgem do além, robôs não se rebelam sem um porquê e sociedades não nascem da noite pro dia. Tudo tem um processo. Um começo, meio e fim. E principalmente, um motivo. Então se atenha ao que anda fazendo na sua história.

Vamos focar bem na sociedade distópica, já que ela exige um trabalho muito maior.

Você tem que elaborar:
  • Como e porquê a 3° guerra explodiu (ou seja lá o que arruinou a sua sociedade pré-distópica)
  • O que aconteceu com a humanidade depois disso? (quais países sobreviveram e como)
  • Como foi reorganizada a sociedade? (os líderes, a ideia inicial... enfim, use a criatividade)
  • O que aconteceu para que ela se tornasse distópica? (alguém teve sede de poder? uma crise? o quê?)
  • Existem grupos revolucionários? Fale sobre como foram criados.
  • O que vem depois disso? (basicamente, o seu enredo)


Muita coisa não? Por mais que pareça cansativo, tudo isso é necessário. Você não precisa tacar todas essas informações de uma vez no prólogo ou primeiro capítulo. Dê uma introdução básica e revele aos poucos, ou simplesmente mantenha o leitor no escuro até achar necessário revelar tudo.

Vou dar aqui o exemplo de A Seleção. Não sabemos no primeiro momento o que aconteceu com os Estados Unidos para que ele se tornasse Illéia. Não sabíamos que havia acontecido a 3° e 4° Guerra Mundial, e nem mesmo como as pessoas conseguiram sobreviver à elas. Mas cada uma dessas explicações nos vão sendo dadas conforme a leitura avança.

Deu pra entender? 

Se achar difícil elaborar tantos comos e porquês, escreva para si um pequeno esquema ou introdução. Conte a história de forma resumida e utilize-a na hora de transcrever para o seu livro. Peça ajuda de pessoas próximas apresentando sua ideias e pergunte se elas acreditam que aquilo possa ser possível ou não. 



Enfim, por hoje foi só. Espero que tenham curtido as pequenas dicas e que eu tenha ajudado. Se tem algo a acrescentar, use a caixa de comentário. Sugestão? Críticas? Elogios? (quero) Caixa de comentários. Vamos dialogar!

Um beijo para todos e até a próxima!

2 comentários:

  1. Oi Camila,
    Eu conhecia a palavra , mas não o significado rsrsrs. Achei bem interessante a sua abordagem e faz total sentido, é bem isso mesmo e infelizmente falta em muitas obras.
    Beijos
    www.estilo-gisele.blogspot.com.br

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  2. Camila eu também conhecia a palavra e não o significado...
    Ótimo post

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