sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Precisamos Falar Sobre... Mocinhas Sem Sal


Olá amoras! Como estão?

Hoje o post será um pouco diferente do que estamos acostumados, isso porque nasceu a necessidade de abrirmos mais o horizonte e começarmos a debater outros assuntos. Vocês sabem que eu criei esse blog com o intuito de falar sobre o universo literário. Começamos com resenhas simples, falamos sobre alguns autores, surgiu a necessidade de uma coluna livre e cheia de humor e ainda criamos um espaço com dicas e outro mais voltado para filmes e séries. Enfim, o Esquadrão quer debater sobre tudo aquilo que realmente faz parte da vida de um leitor, sempre com leveza e uma pitada de humor.

Mas existem certas coisas que não dão espaço para o riso, coisas mais sérias que, por mais que pareçam chatas a principio, devem sim sete em discutidas. Por isso estou criando agora a coluna Precisamos falar sobre...

Deixa eu te explicar.



Pode parecer chato, mas existem certas coisas que realmente me tiram do sério, seja como leitora e apreciadora desse mundo literário, seja como escritora amadora. Já fizemos um post semelhante ao que estou propondo agora. Lembram–se dos Estereótipos que devem ser evitados? Pois bem. Vai ser mais ou menos assim.

Nessa coluna vamos tratar de assuntos sérios que influenciam toda a comunidade literária.  Vamos trazer temas bastante polêmicos que precisam ser discutidos e você pode participar disso comentando sua opinião ou até mesmo nos enviando um sugestão de conteúdo, seja pelo Twitter,  Instagram, Facebook ou pelo email mesmo. Rede social para o contato é que não falta.

Enfim, hoje eu trago pra vocês um tema que é uma verdadeira pedra no sapato de tão insistente e por isso mesmo é que precisamos debater. Precisamos falar sobre as mocinhas sem sal.

Que eu sou uma romântica incorrigível, todo mundo sabe. Basta da uma olhada na coluna de resenhas e ver o quanto esse gênero impera soberano sobre os outros. Esse ano eu até criei uma meta: ler menos romance e me jogar em gêneros ainda não navegados. Primeiro porque preciso me desafiar e sair da minha área de conforto, até mesmo pra estar trazendo conteúdos legais e que agradem vocês. E segundo porque esse gênero vive cheio de clichés e estereótipos. E um deles é o que vamos tratar hoje.

Azar o seu, Azul da Cor do Mar, Sussurro, 50 Tons de Cinza, Crepúsculo  e até mesmo – que Richelle me perdoe – Bloodlines. O que todos esses livros  (e infelizmente muitos outros) tem em comum? Simples. Todos têm a bendita mocinha sem sal e tímida.

Você já deve ter uma protagonista com esse, principalmente se lê romances com frequência. Em sua maioria, são completamente tímidas, tanto que sentem medo/vergonha de falar com pessoas estranhas. Aliás, se existe algo que todas sentem é vergonha. E como sempre, vivem pagando mico já que não tem coordenação motora, o que acaba ocasionando vários micos e quedas durante o livro.

Ah, mas qual o problema em ser desse jeito?

Nenhum, caro mortal.  Não é um defeito você ser tímida, eu por exemplo tenho os meus momentos. Também não existe problema algum é ser desastrada. Também tenho minha cota de micos, como vocês podem conferir aqui. Aliás, quem nunca pagou um mico sequer?

O problema não está nas características em si (se bem que tem umas que me dão nos nervos), o problemas meus amores está nessa fórmula pré-fabricada que se tornou tão repetitiva. Gente, existem outras personalidades no mundo,  ok? Vamos variar um pouco?

Exemplo: vocês já pararam pra pensar em quantas vezes a Bela de Crepúsculo caiu em toda a saga? Não vou contar, até porque tenho mais o que fazer. Mas caramba, ela não podia andar que caia. E se metia numas situações que é uma vez na vida pra todo mundo, mas para ela era dia sim dia não. Não sei vocês, mas pra mim ela tinha que ver um médico, um neuro sabe, vê se ela tem algum problema na parte do cérebro que coordena os movimentos. Ah, e fazer umas simpatias, se benzer, sei lá... resolver essa falta de sorte.

Outra característica que me incomoda horrores é a personalidade. Ou melhor, a falta dela. Seja Ana Beatriz, Azar o seu; Bela Swan, Crepúsculo; Rafaela, Azul da Cor do mar; Nora, Sussurro; Anastasia Steele, 50 Tons de Cinza; ou Sydney, Av e Bloodlines, nenhuma delas escapa da falta de personalidade.

Antes que você me joguei uma pedra ou me ameace de morte, deixa eu me explicar.

Não estou falando que todos começam sem personalidade a acabam do mesmo jeito. Algumas até que dão uma evoluída bem bacana. Mas o fato é, todas começaram sem se importar,  deixando que o destino ou fatores alheios (leia-se, homens) definissem o que seria feito.

Em Azar o seu,  Beatriz está endividada, desempregada, solteira e com o currículo sujo por conta de uma denúncia sobre assédio sexual. Ela acaba voltando pra casa do pai e tenta arranjar um novo emprego. Todo mundo sabe que ela não conseguir, já que seu nome está na lama depois do escândalo sem fundamento que agora mancha seu currículo perfeito. O que ela deveria fazer?

Opção a) Ir atrás de provas que comprovassem sua inocência

Opção b) cruzar os braços e esperar por um emprego enquanto reclama da vida

Mesmo que a opção seja óbvia, Beatriz escolhe o pior caminho e só para de reclamar quando um homem aparece pra organizar a bagunça (vamos falar disso mais tarde).

Agora quando falamos de Nora, em Sussurro, temos uma garota fantasma, com apenas uma amiga, uma inimiga de escola bem infantil e uma vida até que Boa.  Tirando o fato de que seu pai morreu e sua mãe é meio ausente (por que sempre tem separação ou morte de algum dos lados? É quase unânime), tudo está bem. Mas quando um cara misterioso aparece e começa a bagunçar a sua vida,
Nora simplesmente deixa. Sim, ela reclama. Mas desde quando isso resolve alguma coisa?

O mesmo exemplo pode ser usado para Bela e Anastacia (que são quase a mesma pessoa, só que uma passa na sessão da tarde e outra não).

Nesse ponto não posso falar muito de Rafaela de Azul da Cor do Mar, já que ela revida as provocações se Bernardo,  por mais que seja óbvio que ele esteja ganhando de lavada. Mas existem sim algumas situações em que Rafa se comporta como uma garotinha sem personalidade.  Ela deixa o bullying rolar solto, briga com uma amiga por causa de um cara (tem coisa mais idiota? Não que a Gisele seja inocente, mas não é tudo culpa dela). Aliás gente, vocês acham mesmo que nós mulheres brigamos umas com a outras por conta de macho? Você acha que eu vou perder meu tempo e amizade porque fulaninha ficou com cicraninho? Me poupe. Por mais que a mídia adore reforçar, que Hollywood ame fazer filmes assim e que as mocinhas de romance pareçam brigar apenas com isso, essa história tá muito longe da realidade. Tem coisa mais importante que macho no mundo!

Sydney, minha personagem preferida,  também não escapa. Quando ela aparece lá no quarto volume de Academia de Vampiros, ela é uma verdadeira mocinha medrosa. Tem medo de Vampiros, tem medo dos seus superiores. Eu até dou um desconto, já que ela foi criada a vida toda assim. Não se junte aos vampiros, eles são criaturas do mal. Não desrespeite os alquimistas, eles sempre estão perto.
Mesmo assim, existiram algumas partes que eu queria bater nela.

O bom é que a Richelle criou a personagem para ser uma crítica ao senso comum.  Nem sempre o que nos contam é verdade e as vezes nossos inimigos estão mais perto do que imaginamos.  Sydney acorda pra isso e começa a descobrir todas as mentiras que os alquimistas contam. Aliás, indico Bloodlines para que gosta de sociedades com lavagens cerebrais e reviravoltas. Na verdade, indico pra todos.

Agora voltando...

Outra característica que é um pé no saco nas mocinhas é que basta o galã chegar que tudo se resolve.
Bela e Rafaela saem da sua tediosa vida assim que Edward e Bernardo aparecem. Rola umas confusões? Rola. Mas no geral, elas estão mais que felizes porque agora a vida faz sentido (por mas que Rafaela negue, ela gosta das provocações).

O mesmo acontece com Anastasia e Christian. (Um dia faço um posto especialmente pra falar desse personagem)

Nora também vê um escape da sua realidade com Patch (tão triste admitir isso).

Agora quem ganha nesse quesito é Beatriz. Ela ainda está endividada, ainda tá com o nome na lama e continua morando com pai. Mesmo assim, Bia ignora sua maré de azar quando o Cara aparece. E daí que você deve 20 mil? E daí que você está desempregada e dependendo do seu pai com 25 anos?
Quem se importa se todos acreditam que você é uma maníaca sexual que tentou pegar o seu assistente? Agora você tem um namorado que te trata como uma adolescente e tudo está perfeito outra vez. Não dá pra te defender Bia, não dá.

Sydney dessa vez vou deixar passar. Demora para o par romântico dela aparecer e ele apenas bagunça ainda mais. Também não há um escape do tédio, já que sua vida sempre foi bem agitada.

Eu poderia falar sobre como a maioria precisa ser constantemente salva ( Oi Bela! Oi Rafa!), ou como parecem ser totalmente ingênuas (sério, quem vai pra floresta sem notar o caminho, Bela? Quem é sã consciência cai em papo de traficante que alega querer uma entrevista, Rafa? E pelo amor, qual é a virgem que assina um contrato de bdsm sem nem saber direito o que significa, Anastasia? )

Falando nisso, por que elas são virgens? Problema nenhum em ser, mas estamos falando da geração que inventou a ficada. Hoje você fala um Oi e 5 minutos depois já está beijando. Tem aplicativo pra pegação aos montes. Virgem é coisa rara. Principalmente se tem 20 anos ou mais.

Depois de tudo isso só me resta entender que homens sentem uma fixação em garotas virgens, ingênuas, submissas (não estou falando de bdsm), sem personalidade e que precisam ser salvas constantemente.
E eu tenho uma teoria para isso.


  • Virgens, ingênuas e submissas: eles se sentem donos da situação, a garota não tem experiência sexual e aceita tudo que ele lhe propõe.
  • Sem personalidade/opinião: ela nunca vai contraria-lo numa discussão, por exemplo.
  • Precisa ser salva: esse aqui serve pra prendê-la na relação. Uma hora ou outra a garota percebe que tá em desvantagem, mas pensando bem ele já salvou sua vida umas 400 vezes.  Ele é um bom moço, então e se importa.

Enfim, meu estômago até revira ao escrever sobre isso. Por isso vou logo para as considerações finais.

Autores (homens ou – Ai meu coração – mulheres) nós mulheres temos diversas personalidades. Existem aquelas que correm atrás do querem, que estão nem aí pra vida e que só se preocupam com o futuro. Existem tímidas,  impetuosas, atrevidas e surpreendentes. Somos imprevisíveis. Não há uma fórmula que nos defina.

Existem pessoas parecidas com as personagens acima? Sim. Mas elas não são sequer a maioria.  Pra quê então tentar nos fazer engolir algo assim? É mais fácil? Falta de criatividade? Preguiça de pensar? Não sei. O que eu sei é que ninguém mais aguenta ler a mesma história com apenas cenário diferente ( e olhe lá , às vezes é ctrl c + ctrl v).

Estamos bem cansados de encontrar sempre os mesmos personagens com outra roupagem. Então vamos mudar isso, vamos criar mulheres decididas, capazes e que não se curvam na frente de obstáculos.  Mas vamos lhes dar defeitos também, afinal ninguém é super herói aqui. Coloca que as vezes ela fica com preguiça, que uma tem medo de falar em público e que a outra as vezes se deixa abater.

Vamos criar personagens reais. Pode se basear na sua irmã, amiga ou mãe. Tá liberado. Sendo real e verossímil, a gente não reclama não.

Enfim, por hoje foi isso. Espero que tenham gostado da coluna e do tema da vez. Eu estava com ele engasgado já faz algum tempo e vocês não sabem o quanto foi libertador deixa tudo sair. Comentem sua opinião. Concorda? Discorda? Bora debater, amoras.

A semana acabou, mas temos um encontro marcado na segunda. Um beijo e aproveitem o carnaval.(com consciência ok?)Tchau!

13 comentários:

  1. Adorei essa nova "categoria trazida ao blog, com certeza visitarei para continuar acompanhando ♥.

    Parabéns!

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  2. Nossa adorei sua colocação no post
    Vai ser legal essa nova categoria para o blog e o seu jeito...vou seguir sim!!

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  3. Boa tarde!
    Adorei! Eu vou ser bem sincera que eu detesto a Bela da saga crepúsculo! Aff, menina sem sal nem açúcar! Até mesmo eu que sou sem graça não tenho sesse sangue de barata que vejo nessas personagens que citou! PErfeito seu post.
    Beijos 💜 💜!
    Minhas Inspirações por Sara Menezes

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  4. Muito bom vou estar acompanhando também sucesso 😉

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  5. Olá! Simplesmente você arrasou no post gostei bastante, é a primeira vez que leio um post sobre esse assunto e concordo, sinto falta de personagens mais reais com mais personalidade.
    Abraços e Sucesso!
    www.pandapixels.com.br

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  6. Nossa, vc abordou maravilhosamente o assunto que dá pano para as mangas: as mocinhas sem sal...Algumas mais ou tras menos...serio: não aguento a Bela Swan do Crepúsculo e da antiga, apesar de Amar 'Grease', detestava a Sandy, ela às vezes simplesmente me irritava!!! Acho independente de serem as protagonistas, o par romantico e tal, elas poderiam ter mais atitude e personalidade...Adorei seu post, e super concordo com você!
    Beijos,
    Alessandra
    www.alessandrices.com

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  7. Pior que é bem assim parece que eles acham que a moça sem sal vende mais assim como elas são colocadas nos aOtomes animes mas acho nos livros elas mais mecânicas

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  8. oi
    Gostei do texto, realmente é isso que acontece.
    Os homens preferem mulheres assim... Talvez seja pelo fato de que eles acreditem que possam molda-las como querem.
    bjo

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  9. Bem legal seu ponto de vista, não vi todos os filmes mas Crepusculo e 50 tons já. Ná verdade sou louca com os dois filmes mas realmente elas são bem sem sal.

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  10. Nossa achei super legal seu ponto de vista para os personagens, e é até enrgaçado um pouco, adorei o post

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  11. Concordo plenamente com esse post Não aguento mais essas mocinhas sem sal.

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  12. Adorei esse nova categoria, sem dúvida tera temas ótimos.
    Beijoss

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