segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Cartas de Amor aos Mortos

Olá pessoas! Tudo bem com vocês? Eu to ótima. Um pouco ansiosa, é verdade, mas to bem. Ah, vocês querem saber por que estou ansiosa? Ah, dessa vez não vou poder contar pra vocês. Por enquanto...

Depois de deixar vocês curiosos, espero, vamos logo para a nossa resenha de hoje? Essa vocês vão amar! Eu me viciei nesse livro na última semana. Impregnou em mim, acredita?

Com vocês... Carta de Amor aos Mortos!



Livro: Cartas de Amor aos Mortos
Título original: Love Letters to the Dead
Autor (a): Ava Dellaira
Editora: Seguinte
Páginas: 344

Sinopse: Tudo começa com uma tarefa para a escola: escrever uma carta para alguém que já morreu. Logo o caderno de Laurel está repleto de mensagens para Kurt Cobain, Janis Joplin, Amy Winehouse, Heath Ledger, Judy Garland, Elizabeth Bishop… apesar de ela jamais entregá-las à professora. Nessas cartas, ela analisa a história de cada uma dessas personalidades e tenta desvendar os mistérios que envolvem suas mortes. Ao mesmo tempo, conta sobre sua própria vida, como as amizades no novo colégio e seu primeiro amor: um garoto misterioso chamado Sky.
Mas Laurel não pode escapar de seu passado. Só quando ela escrever a verdade sobre o que se passou com ela e com a irmã é que poderá aceitar o que aconteceu e perdoar May e a si mesma. E só quando enxergar a irmã como realmente era — encantadora e incrível, mas imperfeita como qualquer um — é que poderá seguir em frente e descobrir seu próprio caminho.


Laurel acabou de entrar no ensino médio. Até aí, nada de diferente. Mas a escola dela fica em outro bairro, um pouco longe da sua casa. Essa foi uma escolha dela. Ir para uma escola diferente, no bairro da sua tia, para que assim ninguém a conhecesse. Para que ninguém soubesse que sua irmã havia morrido.

Sim, a irmã mais velha de Laurel, May, morreu há pouco tempo. Como a maioria das irmãs mais novas, Laurel idolatrava May. Ela via a irmã como um exemplo, seu sonho era ser tão bonita, graciosa e inteligente quanto May. 

"Porque não sabia como explicar que, depois que May morreu, tudo o que eu queria era desaparecer."

Sua mãe, recém divorciada, se mudou para Califórnia dizendo que queria "dar um tempo". Foi um golpe duro para a pobre Laurel. Ela agora divide suas semanas entre a casa do pai e a casa da tia. Mas seu pai anda desanimado, afastado, suas conversas quase não duram. Sua tia é muito apegada a Jesus e faz com que Laurel reze antes de todas as refeições, mas não conversa com ela.

Ao ir para uma escola diferente, Laurel vê a chance de recomeçar num lugar onde ninguém a conhece. Ela tenta se arrumar e usa a mesma roupa que May usou no sue primeiro dia, mas se sente estranha e coloca a sua roupa preferida do ensino fundamental.

No primeiro dia, fica afastada de todos. Ela não tem coragem de falar com ninguém. E então surge uma proposta: sua professora de inglês pede para que todos escrevam uma carta para alguém que morreu. Laurel pensa que a professora quer que eles escrevam para algum ex-presidente, mas ela não se sente à vontade e escreve para Kurt Cobain, o músico favorito de May, e quem ela passou a gostar.

O livro todo é contado através das cartas. Como a sinopse mesmo diz, Laurel escreve para muitos. Cada um deles ela conheceu através de May ou numa lembrança que envolve sua irmã mais velha, o que nos mostra um apego muito grande.

Laurel é introvertida. Tímida. Não se sente muito à vontade em falar com estranhos ou para multidões. É bem difícil para ela fazer amizades, como vemos ao decorrer do livro.

"Havia uma barreira entre mim e o mundo."

Além disso, por idolatrar a irmã, ela busca muito ser quem ela acha que May era. Começa a usar as roupas dela, a tentar agir como ela. Laurel acaba se tornando um espelho da irmã.

Eu gostei bastante desse livro, mas vamos por partes.

A capa. Gente, essa capa é muito linda. Eu me apaixonei por ela. Lembro de estar na livraria quando encontrei esse livro no meio de tantos outros, e de cara o que me chamou a atenção foi a capa. Os detalhes do céu, desse roxo, dessas tonalidades... E o título? No mínimo, instigante. Despertou minha curiosidade ali.

A sinopse também é encantadora, mas confesso que apenas a li uma vez, para ver do que o livro se tratava. Nunca mais li. Só agora para colocar na resenha. Haha! Mas é realmente boa.

A narrativa é diferente de tudo que conheci. Sim, é em primeira pessoa. Mas a ideia de escrever cartas, cartas para ídolos mortos ainda, é fantástica. Eu não sei vocês, mas acho que encontrei um motivo ainda maior para a autora ter escolhido justamente esses ídolos. Prestem atenção em tudo que a Laurel vai revelar e me digam se ela e os destinatários não tem uma certa característica em comum.

"Você morreu. (..) Mas as palavras que deixou ainda estão vivas"

Os personagens são maravilhosos.

Eu via muita a Laurel como uma criança. Toda vez me surpreendia ao saber que ela tinha 15 anos. Não me lembro de ter toda essa inocência quando tinha a mesma idade que ela. Mas eu acho que de fato ela é ainda mais inocente. Não me leve à mal. Eu adorei a Laurel. Mas quem leu sabe que ela acaba se dando mal por conta dessa característica. 

Mas como tudo na vida, ela evolui. Ela vai se transformando tão lentamente que somente perto do fim percebi que ela não era a mesma menina de antes. Estava mais mulher. Mais confiante em si do que nos outros. Gostei bastante da evolução dela.

"Que nunca fiquemos velhos demais para lembrar quem somos agora, juntos."

A Hanna e Natalie me fisgaram. Toda a história das duas, o modo como eram unidas, como sempre se apoiaram. Eu achava lindo. E a superação das duas não é para qualquer um. O que elas passam é pesado, e nos faz pensar. Pensar em porque nos limitamos tanto e no porque julgamos tanto os outros. Elas me deram ótimas lições de vida.

E há o Sky. O menino misterioso que parece conhecer todo mundo, mas não se encaixa em lugar nenhum. O garoto com camisetas divertidas, com um olhar que parecia enxergar além de Laurel e um lábio meio torto, que ás vezes se endireitava. Sky, o garoto não tão perfeito, que tinha os seus próprios medos e limitações. 


"É como se um dos motivos de ele ser tão incrível fosse não ter medo da própria voz."
Sky sobre Kurt Cobain

"Porque sua vida não pertencia a nós. O que você nos deu foi sua música. E sou grata por isso."
Laurel sobre Amy Winehouse 

Cada personagem é muito bem construído. Não são feitos de apenas coisas boas e apenas coisas ruins. São humanizados. Cada um tem uma história, um passado. E todos lutam por algo. Até mesmo os personagens secundários, aqueles que aparecem de vez em quando, tem uma espécie de destaque, algo que vale a pena compartilhar.

Enfim, a história é uma das melhores que já li. É um pouco dramática e delicada, por se tratar de um tema como luto. Mas tem seus lados mais voltados ao romance. E, sobretudo, retrata que estamos em constante evolução e que, acima de tudo, temos que aproveitar os bons momentos, gostar de nós mesmos, mas nunca deixando de pensar no futuro.

Melhor quote:
O universo é maior do que qualquer coisa que cabe na sua cabeça.

Melhor desejo:

Que o mundo seja um lugar seguro para o amor, todo tipo de amor.

É envolvente. É esclarecedor. É diferente. É questionador. 

É uma das melhores que li e que ainda lerei.


2 comentários:

  1. Esse livro deve ser lindo.♥
    Adorei a premissa e sua opinião sobre o mesmo.
    Art of life and books.

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    1. É lindo mesmo. Estou encantada com ele até agora.
      Fico feliz que tenha gostado.
      Bjs!

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