segunda-feira, 1 de agosto de 2016

A Sereia

Alô, Alô.

Como vocês estão? Espero que bem. Acho que deu pra perceber que não tivemos nenhuma publicação nos dois últimos sábados. Infelizmente vai ficar assim por um tempo. Mas estou tentando arranjar uma fresta para começar um novo quadro aqui no Viagem Literária. Sinta-se a vontade para sugerir e dar a sua opinião.

Mas vamos deixar de enrolação. Hoje é dia de resenha e de resenha das boas.



Todo mundo viu o quanto eu fiquei empolgada com essa história. Também, não é pra menos. Já tenho a a autora como uma das minhas queridinhas e sou totalmente apaixonada por ela. Quer dizer, isso quando ela não ta matando personagens ou me deixando no escuro por muito tempo. Mas né... acontece. Todo relacionamento tem isso.

Então vamos deixar de encheção de linguiça e começar a nossa resenha de hoje. A Sereia!

"Sempre há espaço para o amor, mesmo que seja tão pequeno quanto uma fresta na porta."




Anos atrás, Kahlen foi salva de um naufrágio pela própria Água. Para pagar sua dívida, a garota se tornou uma sereia e, durante cem anos, precisa usar sua voz para atrair as pessoas para se afogarem no mar. Kahlen está decidida a cumprir sua sentença à risca, até que ela conhece Akinli. Lindo, carinhoso e gentil, o garoto é tudo o que Kahlen sempre sonhou. Apesar de não poderem conversar — pois a voz da sereia é fatal —, logo surge uma conexão intensa entre os dois. É contra as regras se apaixonar por um humano, e se a Água descobrir, Kahlen será obrigada a abandonar Akinli para sempre. Mas pela primeira vez em muitos anos de obediência, ela está determinada a seguir seu coração.


Confesso que demorei um pouco para ler esse livro. Tenho ele aqui em casa desde que saiu, mas eu estava meio com um pé atrás. Algumas pessoas já haviam lido e não haviam gostado muito da história. Bem, isso acontece quase sempre quando estamos acostumados com uma história e a autora começa a publicar outra.
Mas, na verdade, A Sereia existe bem antes de A Seleção.

Ele foi publicado em 2010, mas numa publicação independente. Não fez muito sucesso e Kiera logo desencanou e partiu para a Seleção. Isso vocês descobriram quando falamos sobre a nossa rainha aqui no site. Se você não leu, leia agora.

Diferente de America, Kahlen é uma garota disciplinada e obediente. Também, ela ainda era uma uma adolescente entres os anos 20 e 30. Isso mesmo. Você não entendeu errado.
Kalhen era ainda uma garota quando tudo mudou na sua vida. Quando o navio onde estava sofreu um ataque. De sereias.

"É engraçado pensar nas coisas a que nos apegamos, nas coisas de que lembramos quando tudo acaba. Ainda consigo ver os painéis nas paredes da nossa cabine e recordar com precisão como o carpete era macio. Lembro do cheiro da água salgada permeando o ar e grudando na minha pele, e o som das risadas dos meus irmão no outro quarto, como se a tempestade fosse uma aventura emocionante em vez de um pesadelo."

Sobre a influência do canto, todos começam a sair para o convés, tentando chegar cada vez mais perto. Isso é, enfeitiçados, começam a se jogar no mar sem nem se dar conta de que estavam se afogando.

Kahlen ficou com medo. Ela percebeu o que iria acontecer. Ela não queria morrer. Então ela suplicou para continuar vivendo. Só não esperava que alguém a escutasse e a ajudasse. Alguém como a Água.

"Não!, pensei enquanto lutava para voltar à superfície. Não estou pronta! Quero viver! Dezenove anos não eram o bastante. Ainda havia muitas comidas para provar e muitos lugares para visitar. Um marido, assim eu esperava, e uma família. Tudo isso, absolutamente tudo, desapareceria num instante.

- De verdade?

Não tive tempo para duvidar da existência da voz que ouvia e logo respondi:

- Sim!
- O que você daria para continuar viva?
- Qualquer coisa!"

Ela acaba se tornando uma Sereia. Sua voz foi tomada, e se tornou mortal, e ela teria que viver cem anos para a Água, cantando de tempos em tempos para lhe "alimentar". Quando os cem anos acabassem, ela teria sua voz de volta e se esqueceria de tudo.

Oitenta anos se passam. Kahlen agora convive com Elizabeth, Miaka e vê de vez em quando sua irmã reclusa, Aisling. Mas suas irmãs mais novas parecem se dar melhor com a condição de sereia do que ela mesma. Quase um século se passou e ela ainda não se sentia confortável. Não quando sabia que era ela, e sua voz, o motivo de tantas mortes.

Mesmo com seus conflitos, Kahlen é a sereia mais leal e mais íntima da Água. É para Ela que Kahlen corre quando se sente perdida ou simplesmente não quer encarar uma rodada de perguntas de suas irmãs. É a Água quem conhece todos os seus pensamentos e sentimentos. 

Embora muitos pensem que Kahlen é apenas submissa, ela é mais que isso. É verdade que ela aceita tudo que a Água lhe pede, mas faz isso apenas por obrigação e por amor. Ela sabe que esse é o único jeito e não gosta de criar problemas. Na verdade, ela nem gosta de chamar a atenção. Ela não sai à noite com suas irmãs e não curte música alta e bebidas fortes.

Ela não é submissa e sem personalidade.

Ela foi apenas criada em outro tempo.

Kahlen valoriza as pequenas coisas. Gosta de observar as pessoas e imaginar uma vida normal. Ela tem dezenas de cadenetas onde anota tudo que consegue descobrir sobre as vitimas do seu canto. Ela sente remorso. Mais que isso, ela deseja que sua vida seja mais que cantar e lamentar. 

A história gira em torno de Kahlen e de toda a sua aceitação. De como ela tem que se adaptar a sua vida sereia e fingir ser humana, sem nunca se comunicar de verdade. 

"Instantaneamente comecei a correr os dedos pelas lombadas nas prateleiras, já apaixonada por cada um dos títulos. Os livros eram um porto seguro, um mundo separado do meu. Não importava o que acontecesse naquele dia, naquele ano, sempre existia uma história de alguém que havia superado seu momento mais sombrio. Eu não estava só."

É claro que algo de muito errado vai acontecer e Kahlen vai se prejudicar. Mas isso eu deixo para o livro conta pra vocês. (Ou pra essa sinopse cheia de spoilers)

Os personagens por mais que demonstrem serem superfíciais, trazem consigo suas próprias feridas e cicatrizes. Principalmente Aisling e Padma, uma sereia novata que vocês terão o prazer de conhecer.

O choque temporal, e cultural, é evidente, o que me fez pensar no quanto mudamos e no quanto ainda vamos mudar. É estranho acreditar que uns 50 anos atrás haviam tabus e que, algo que para nós hoje é natural, antes era vergonhoso. Gostei do quanto isso se contrasta, mas ainda permanece como algo normal e natural.

Como eu disse antes, Kahlen é obediente. Mas o engano é acreditar que ela é apenas isso. Ela também tem suas feridas, embora, diferente de todos, isso seja recente. Ela é obrigada a conviver não só com suas obrigações, mas também com as consequências. E isso a machuca muito.

Mas no decorrer da história, vemos Kahlen superando cada uma das sua mágoas e se aceitando. Ela começa a deixar de ver a sereia para conhecer a garota que há dentro de si.

Como as outras histórias de Kiera, a narrativa é detalhada e fluente. Algumas questões importantes são levantadas, mas de forma natural e suave, sem polêmica alguma. A capa é maravilhosa e eu nunca vou me cansar de dizer isso. A melhor parte é o relevo no título. Sem falar nas inúmeras frases marcantes. Se você é viciado em post it ou marca texto, acredite quando digo que seu livro vai ficar mais colorido que nunca.

"Sei que toda vida chega ao fim e que não é o tempo que temos que a torna preciosa. Mas meu coração dói. Só queria a felicidade dele."

Achou pouco? Então olha isso: 

"Não conhecia nenhuma expressão mais forte que 'alma gêmea', que desse a entender a sensação de estar tão unido a alguém que é difícil dizer onde termina essa pessoa e onde você começa."


Ah, não há duvida alguma que esse livro vai te enfeitiçar... como um canto de uma sereia.

4 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Olá,
    Eu li A Serreia. Gostei bastante, um leitura leve e envolvente. Prefiro os outros livros dela, apesar de não ter lido os outros ainda da saga A Seleção, parei na A Escolha.
    Adorei a resenha, parabéns.

    Abraços.

    Haulisson, Menino Livros.
    https://meninolivros.blogspot.com.br/

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  3. Oi!
    Menina eu não colocava muita fé nesse livro não hein.Apesar de adorar a escrita da Kiera,confesso que histórias de sereia nunca me chamaram a atenção.Pelo menos não até agora.
    Adorei os quotes e a premissa da história.
    Me diz que não tem nenhum personagem tão irritante quanto a America por favor!
    Já vi que será uma leitura bem rápida,vou dar uma chance,fiquei curioso!Me parece que o livro inclusive é melhor que A Seleção,não sei,só palpite mesmo.
    Beijos!

    http://livreirocultural.blogspot.com.br/

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    1. Olá!
      Ao contrário de você, gosto bastante de histórias de sereias, mas mesmo assim não me senti muito motivada a ler esse livro apenas por isso. Na verdade, existem dois motivos para eu ter lido A Sereia.
      Primeiro, eu também gosto da escrita da Kiera e queria ver como ela se sairia numa história totalmente diferente de A Seleção.
      Segundo, eu havia visto muitas criticas a esse livro e queria descobrir se elas estavam certas ou não.
      Não me arrependi. Adorei a história e pode apostar que a Kahlen é diferente da America, um completo oposto. Vou fingir que não li irritante kkk
      Fico feliz que tenha gostado e espero que o livro lhe agrade.

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