sábado, 9 de julho de 2016

Sérgio Klein

Hello people!

Hoje como todo mundo sabe é dia de falarmos sobre os nossos escritores favoritos. Considero isso tão importante, que até pausei o episódio de Grey's Anatomy para vim falar com vocês. E pra me recompor também, é claro. Não é fácil chorar três episódios seguidos.

Como eu sou masoquista ao extremo, vim falar hoje com vocês sobre um escritor que tenho em mais alta conta. Ele não foi o meu primeiro escritor, isto ficou para Pedro Bandeira, mas foi um dos primeiros que me fez ter certeza de que eu deveria tentar ser escritora.



Se não deu pra perceber, eu sempre tento falar com vocês da forma mais informal e mais divertida. É verdade que eu sou péssima com piadas, faço até dupla com aquele tiozão das festas metido à engraçadão. Mas eu tento.

Um dos escritores que me levou para esse lado mais piadista foi Sérgio Klein. Ele escreve com uma leveza, como se conversasse com um amigo íntimo e seus personagens são sempre engraçados. Seja isso de proposito ou não.

Mas vamos parar de encher linguiça e bora saber mais sobre Sérgio Klein!



Nascido em 7 de julho de 1963, infelizmente o autor não está mais entre nós. Vítima de uma infecção generalizada, Sérgio Klein nos deixou em 3 de julho de 2010. Sim, faz seis anos que a literatura brasileira perdeu um dos maiores nomes que já existiu.

Seu nome de batismo era Sérgio Rocha Kleinsorge e ele nasceu em Belo Horizonte. Escrevia desde os 15 anos, mas só teve seu primeiro livro publicado em 2000, onde adotou o nome artístico de Sérgio Klein na obra Ultimo Desejo

Como alguns escritores que já vimos antes, ele não se jogou de cabeça na carreira de escritor. Primeiro tentou estudar Engenharia, certo de que este era o caminho certo à percorrer. Mas logo se arriscou em Comunicação Social (Jornalismo), já que a literatura não saia da sua cabeça.

Seu grande sucesso infanto-juvenil foi Poderosa - o diário da garota que tinha o mundo na mão. Meu livro favorito junto com grande parte da população de leitores. O livro contava a história de Joana Dalva, uma garota que possuia o incrível poder de tornar realidade tudo que escrevia com a mão esquerda.

É importante tomarmos conhecimento de que Sérgio Klein gostava de contos de fadas, mas os achava fantasiosos demais. 

“Não dispomos de reis, príncipes, castelos, dragões. Temos a Amazônia, a maior floresta encantada do planeta, mas nem sempre nos lembramos de usá-la como cenário”

Foi isto que o motivou a criar histórias mirabolantes, mas com cenários realísticos, onde o leitor pudesse ter facilidade em se identificar. 

É verdade que seu publico era, na maioria, constituído de meninas. Ele tinha uma grande facilidade de se comunicar com elas, quer dizer, nós. O que me surpreende, entretanto, não é que ele tenha ousado em se comunicar diretamente com meninas. Muito menos o fato de seus personagens principais serem, quase sempre, meninas. Nada disso. O fato que me despertou o interesse foi que ele conseguia fazer com que seus personagens femininos fossem genuínos. As meninas pensavam como meninas, agiam como meninas. Não eram baseadas em esteriótipos, mas também não chegavam a ser o extremo oposto.

Isso é difícil até mesmo para os grandes autores. Pedro Bandeira que me desculpe, mas nem mesmo ele conseguiu tal proeza. Suas personagens eram meio estereotipadas e tinham uns pensamentos... Deixa em off. Mas Pedro, ainda te amo.

Sérgio obteve o primeiro lugar no Concurso Nacional de Literatura na cidade de Belo Horizonte, em 2002, com o volume de contos Palavras Cruzadas.

Achou pouco? Então espera ai.

Ele recebeu o Prêmio Casa da America Latina conferido pela Radio France Internacionale, de Paris.
E o primeiro livro da série Poderosa (indicada para o prêmio Jabuti) teve os direitos vendidos para o cinema e foi lançado na Espanha, na Galiza, no México, na Bulgária e na Itália.

Mesmo já tendo, como escritor, um retorno invejável para os parâmetros desse nosso País, que tão pouco valoriza a cultura, paralelamente à intensa atividade de criação literária, Klein trabalhava na Receita Federal do Brasil desde 1900 e bolinha.

Por todos é tido como um ser humano extraordinário, porém humilde. Mesmo com tanto sucesso, acreditava ser único, apenas mais um neste mundão. Realmente, é muito difícil acreditar que ele de fato tenha existido. Klein era mais personagem que homem.

Ele acreditava no poder transformador da palavra e isso fica bem claro quando conhecemos Joana Dalva, que compartilhava seu amor pela escrita e histórias mirabolantes.

"Se fosse entrevistada eu diria que comecei a escrever com a humilde pretensão de criar histórias que divertissem os leitores ─ entre os quais, naturalmente, estou incluída. Na verdade, sou a primeira da fila. (...) Só então descobri que a literatura podia mudar o mundo ─ pelo menos, a minha literatura."
(Poderosa 2)

Além da série Poderosa, o autor escreveu também A Menina que era uma Vez, A Menina que era outra vez, Tremendo de Coragem, Tempo sem Tampa, Gêmeos descolados,entre outros.

Antes de finalizar, gostaria de deixar claro aqui a admiração que tenho por este homem. Ele não foi apenas um escritor, ele é para mim uma inspiração. O seu jeito humorado e humilde é genuíno. É triste saber que ele não está mais entre nós. O que não significa que ele não seja eterno. Ele é. Através de seus livros, de suas histórias estranhas e loucas. Não podemos nunca nos esquecer delas. Por mais que sejam infantis e achemos que somos grande demais para elas, não somos. Ainda há crianças levadas dentro de nós, crianças que podem ser alimentadas com seus livros.

Não vamos deixar que elas morram. Não deixe as histórias serem esquecidas, apagadas pelo tempo.

Mas é claro que, se tratando de Sérgio Klein, isto é impossível de acontecer.

Nenhum comentário:

Postar um comentário